fico quietinha, deitada na cama, num silêncio profundo, evito respirar e fazer qualquer barulho… fico tentando te ouvir.
num mundo sem fim, eu ainda não desisti de te procurar. tua ausência estará debutando em breve a ainda assim me dói como se fosse ontem.
eu tentei aprender, eu tentei encontrar, eu tentei fazer. tentei crescer.
nunca vou saber se acertei ou se errei. em todo o silêncio do universo, busco tuas palavras, tua aprovação ou reprovação, imploro por um sinal qualquer que possa me orientar daqui para frente…
nada.
que realidade é essa que, tão cruel, nos deixa no vácuo?
tenho me esforçado tanto para ser melhor, para ser diferente, para aprender, para crescer, amadurecer… tenho feito das tripas coração, para que? para no fim do dia terminar tudo sempre igual… eu me calando e tentando te ouvir. só queria um “vai…” sussurado no meio do vento, ou uma gota de chuva que caisse riscando um “talvez não”… mas fico aqui, envolta no nada.
nada este que somente a incerteza do meu ser. tem dias que não sei nem quem sou.
tem dias que tudo que sei é que não queria saber nada…
e assim vivemos, essa rotina esquisita de tentar viver, enjoar de mim, me perder, tentar…
e nunca saber.
nunca.
sequer uma dica…
nada.
shhh…
tu não sabe como é ter que correr na contramão,
sair sem saber como voltar,
cada decisão precisar lutar.
não importa o que eu pense, o quanto analise,
o que eu decida, é sempre assim, é sempre nada.
além das dificuldades do caminho, preciso me desfazer de mim
para lutar contra ti.
para provar que posso estar certa, para te mostrar
que eu preciso cometer meus próprios erros.
mesmo que muitas vezes não esteja tão errada assim.
tu destrói cada esboço de possível alegria, com tuas angústias, medos e neuroses.
tu não enxerga nada colorido, cada vez que, a muito custo, consigo acreditar em mim
tu chega como um buraco negro e suga daqui tudo o que bom que eu consegui erguer.
me faz oca, me faz desacreditar na vida e no mundo,
porque tudo o que eu esperava era poder te ver sorrir por mim.
mas eu nunca vi, porque nunca fui quem tu queria que eu fosse.
vou morrer assim, na contramão, tentando te agradar, sem saber…
se te agrado destruindo minha vida,
ou se sigo minha vida, destruindo quem eu sou para ti.
é como se eu tivesse construído um mundo todo maravilhoso, perfeito, intacto. e a ponte que me levava até ele tivesse sido destruída. quando ela se foi naquela madrugada que não se apaga da minha mente, a ponte para o paraíso partiu-se em um trilhão de pedaços.
eu fiquei ali, ao pé dela, presa a cruel realidade rotineira. assim, todo santo dia eu vejo o mundo perfeito, eu ouço gargalhadas, sorrisos, sinto o cheiro doce das nuvens. mas eu não posso nunca chegar ali.
como se eu tivesse sido destinada a viver na sombra, no frio, na solidão. por mais que eu tente, nao consigo evitar, não consigo deixar o paraíso para trás e seguir meu caminho.
meus pés acimentaram-se ao chão e me deixam aqui, sem poder me mover, sem poder crescer, sem poder fugir. eternamente olhando tudo aquilo do que eu nunca poderei ser parte…
nunca.
as vezes eu sinto falta de algumas coisas,
as vezes eu sinto falta de muitas coisas,
as vezes eu não sinto falta de nada,
as vezes não sinto falta nem de mim mesma.
abstraio do mundo e sumo por ai
voando entre as nuvens espessas dos meus pensamentos,
perco-me dentro de mim mesma.
nos emaranhados gélidos de minhas entranhas.
respiro fundo, conto até 10, abro os olhos…
tudo igual.
respiro fundo, conto até 10, abro os olhos…
tudo igual.
respiro fundo, conto até 10, abro os olhos…
tudo igual.
respiro fundo, conto até 10, abro os olhos…
tudo igual.
respiro fundo, conto até 10, abro os olhos…
tudo igual.
falta vida na minha quietude,
falta energia no meu silêncio,
sobra espaço no meu ser.
acho que estou precisando me virar do avesso.